O tentador doce de leite argentino

Ao falar da culinária da Argentina não podemos deixar de mencionar um elemento que está sempre presente na maioria das sobremesas, guloseimas e pratos doces: o tentador doce de leite argentino. Quem já foi a Buenos Aires, ou visitou qualquer outra cidade do país vizinho, sabe do que estamos falando.

Conta a história local que o doce foi descoberto por acidente, quando no século 19 uma das cozinheiras do então General Juan Manuel de Rosas, sem querer deixou queimar o leite com açúcar que estava fervendo. O resultado, longe de ser descartado, acabou virando uma das comidas típicas argentinas mais famosas e queridas por todos: o dulce de leche.

Doce de leite argentino

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Contudo, são muitos os países que afirmam ter descoberto o doce de leite e aparecem exemplos em diversos lugares do mundo, cada um com as suas pequenas diferenças e variações. A paternidade do saboroso doce de cor marrom está mais do que disputada. Uma das surpresas é que o Chile encabeça silenciosamente a lista, onde é conhecido como manjar branco. Logicamente os uruguaios, os outros vizinhos dos hermanos, também não querem ficar atrás e reclamam que o DNA do dulce de leche até pode ser charrua.

E ainda existem boatos que o cozinheiro do próprio imperador Napoleão foi um dos pioneiros na arte de fazer o tradicional e açucarado doce. Porém, no final das contas, ninguém sabe com certeza qual é a história verdadeira nem o lugar de nascimento certo. A incógnita permanece, e provavelmente vai permanecer em pé. Mas que o doce de leite é um das figuras mais populares da gastronomia argentina, disso ninguém pode duvidar.

Doce de leite argentino (Foto: Graham Stanley)

Quem pode resistir à tentação de estar num restaurante de Buenos Aires e na hora da sobremesa não pedir um clássico flan com dulce de leche? O histórico pudim tem no doce de leite o seu principal aliado. Mas as parcerias não acabam aí: panquecas, bolos, churros e sorvetes, sem esquecer os célebres alfajores (Havanna, Cachafaz, Balcarce ou o popular Jorgito de todos os dias) todos reclamam a presença incondicional do prestigiado e inseparável parceiro.

Que doce de leite comprar?

Uma dúvida que nunca falta entre os turistas brasileiros: que doce de leite argentino comprar na hora de voltar ao Brasil?

Existe uma grande variedade, desde os mais simples até os mais sofisticados ou premium. Nos Free Shops de Ezeiza ou Aeroparque você vai conseguir dulce de leche de exportação e de uma qualidade indiscutível. São muitos os turistas que vão correndo atrás achando que estão fazendo a melhor das escolhas. Mas será que vale a pena desembolsar esse dinheiro todo pela prezada guloseima? Sim e não.

Nas lojas gourmet do centro de Buenos Aires ou nas prateleiras dos Duty Free dos dois aeroportos da capital argentina esperam pacientemente aquelas marcas top, talvez não muito conhecidas pelo consumidor da classe média ou trabalhadora, e direcionadas, é claro, aos visitantes de outros países.

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Os nomes mais habituais que podem ser achados são o lendário Chimbote (que vem numa embalagem de papelão), Poncho Negro, La Salamandra, Patagônia, e a lista continua. Todos eles produtos de altíssimo padrão, apresentação requintada, fabricação artesanal e caprichada… e trazendo logicamente aquele sabor que não dá para recusar!

Só que é bom saber que ao mesmo tempo, nos corredores de qualquer supermercado ou mercadinho de bairro (que até pode ser chinês) é possível encontrar o autêntico e simples doce de leite argentino por preços bem mais acessíveis. As marcas mais comuns são La Serenísima e Sancor, embora existam outras que apresentam uma relação preço – qualidade semelhante (Verônica, San Ignacio, Milkaut, etc.). Sim, trata-se de aqueles nomes que os portenhos costumam consumir em casa diariamente e sem muitas complicações.

Doce de leite argentino (Foto: Jesús Dehesa)

Se você decidir comprar algum doce de leite de La Serenísima é bom prestar atenção porque a marca oferece vários tipos: o melhor é o Colonial, mas também existe um chamado repostero (mais grosso e duro utilizado especialmente para preparar bolos e sobremesas). A apresentação da maioria deles é muito mais despretensiosa que os premium: em potes plásticos de 250, 500 gramas ou até de 1 kg.

Gourmet ou tradicional, caro ou barato, mas o doce de leite argentino sempre deve ter um espaço garantido na nossa mala antes de deixarmos Buenos Aires. Qual é a sua escolha?