Tango, a original música do Río de la Plata

As primeiras manifestações do que tempo depois seria chamado de Tango, começaram aparecer em 1880 na beira do Rio de la Plata. Era uma mistura de milonga, musica cubana e até musica negra. De fato, na língua africana chamava-se tango ao lugar onde eram reunidos os escravos para depois serem traficados. Poderia se dizer, então, que era a resposta porteña ao candombe (musica de negros) que já estava se desenvolvendo no país vizinho do Uruguai.

Conheça com detalhes a história da cidade de Buenos Aires.

Era inicialmente um tipo de musica machista, de homens solitários que dançavam entre eles. Como só era tocado nos bordéis e lugares de duvidosa reputação, as únicas mulheres que na época dançavam o Tango eram as prostitutas; o que foi fazendo do estilo uma dança abertamente sensual, com evidente contato corporal. Desse jeito, nos seus primeiros anos de vida,  foi considerado um tipo de musica proibida e marginal.

Booking.com

Os primeiros exemplos

As primeiras letras, totalmente improvisadas, eram obscenas e descreviam a presença do “compadrito” (malandro). Uma imagem que pode resumir rapidamente a essência do Tango argentino é a figura do “compadrito” encostado numa esquina de bairro qualquer, de olhar torto e ajeitando seu chapéu.

Tango em Buenos Aires
O Tango, um dos símbolos da cultura argentina

Era um estilo interpretado por bandas de músicos limitados tecnicamente e de escassos conhecimentos teóricos e os trios estavam conformados por flauta, violino e violão; só anos depois apareceu o bandoneon (de origem alemã). Desde os botecos da beira do Riachuelo, entre marinheiros, trabalhadores do porto, imigrantes e prostitutas, a dança ingressou no século XX.

No século XX

Gradualmente foi se espalhando entre os salões de baile, academias e bares até ser finalmente aceito pela sociedade. Foi exportado á Europa e depois de 1910 o Tango virou sucesso na França. Já nos anos 20 entra nos elegantes Cabarés de Buenos Aires e as letras das musicas começaram a mudar.

O primeiro letrista foi Pascual Contursi (1920) que, incluindo palavras da gíria porteña (o denominado “lunfardo”) nas suas nostálgicas letras, descrevia a dor pela mulher perdida, o passado e a figura materna. Outros poetas igualmente talentosos seriam Enrique Santos Discépolo, Alfredo Le Pera e Cátulo Castillo.

Nos anos 30 começaram aparecer orquestras formadas por músicos de grande valor, sendo Juan D’Arienzo (apelidado o Rei do Compasso) um dos mais notáveis. Outros músicos célebres que surgiram depois foram Osvaldo Pugliese, Aníbal Troilo e Astor Piazzolla.

Não deixe de visitar o tradicional Café Tortoni, onde é possível sentir a essência do Tango.

Nos anos 60 a dança perde popularidade ante a aparição de outros estilos musicais, mas no final do século passado experimenta um ressurgimento principalmente entre as gerações mais jovens. Hoje em dia existem em Buenos Aires numerosas academias onde é possível aprender dançar o Tango.

Alguns nomes emblemáticos

Carlos Gardel, nascido entre 1887 e 1890 foi o cantor mais conhecido. Seu lugar de nascimento foi sempre motivo de duvida (nunca ficou claro se nasceu na França ou no Uruguai) e a sua carreira começou em 1912 até a sua morte, o 24 de junho do ano 1935 num acidente de aviação em Medellín, Colômbia.

O bandoneón é o instrumento característico do Tango
O bandoneón é o instrumento característico do Tango

Enrique Santos Discépolo (1901-1951) foi um escritor, compositor e autor de alguns dos títulos mais famosos: “Cambalache” e “Cafetín de Buenos Aires”.

Descubra os melhores lugares para assistir shows de Tango em Buenos Aires.

Alfredo Le Pera: letrista, escritor, jornalista e parceiro inseparável de Carlos Gardel, foi o autor da maioria das letras dos tangos de Carlos Gardel.  Nascido originalmente em Brasil no ano 1900 e radicado em Buenos Aires, morreu junto com Gardel no mesmo acidente de avião em 1935.

Aníbal Troilo: apelidado de “Pichuco” foi um grande musico e interprete do bandoneon. Autor da música “Sur” além de muitos outros, foi um dos compositores de maior influencia nas gerações seguintes.