Señor Tango, o espetáculo favorito dos brasileiros

Inaugurado em 1996 no bairro portenho de Barracas, perto de La Boca, Señor Tango oferece um dos shows mais badalados e prestigiados e Buenos Aires. Tanto a casa, os numerosos espetáculos que já têm sido apresentados e o seu dono, Fernando Soler, todos eles já receberam numerosos prêmios e galardões.

Com quase 50 anos de trajetória (começou a sua carreira como cantor com menos de dez anos de idade), Fernando Soler é um das poucas figuras tangueras que conseguiu se apresentar no exclusivo Teatro Colón. O tango poderá ser argentino e cantado em espanhol, mas dentro do Señor Tango se fala português: não é a toa que se trata do espetáculo favorito do público brasileiro.

O ambiente é muito chique e detalhadamente decorado, com um salão de três níveis e uma pista redonda central.  Comprovando que o bom atendimento ainda é possível em Buenos Aires, garçons muito cordiais e gentis fazem logo amizade (ou talvez cumplicidade) com os fregueses que vão chegando.

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Señor Tango, entrada

As portas abrem a partir das 20h e os comensais são acompanhados até as suas mesas, todas elas compartilhadas. O Cardápio Executivo inclui uma mini pizza de cortesia, seguido por um jantar em três passos: crepe de espinafre com molho de tomate e prato principal a escolher: contra filé, frango ou truta. Os adoradores da carne argentina, porém, devem prestar atenção: o contra filé a maioria das vezes é servido mal passado. Melhor acertar a sua preferência junto com o garçom antes de fazer o pedido.

Señor Tango, mesas para seis pessoas

Muito bem… mas o show vai começar.

Primeira Parte

A função começa às 22.15h com a imponente entrada de um índio e um gaúcho, os dois a cavalo, representando a histórica luta entre as duas culturas. A posterior aparição de cinco duplas de dançarinos inicia uma dança telúrica, com claras amostras do folclore argentino.

(Foto: marcusrg)

Señor Tango (Foto: marcusrg)

Seis compadritos vão chegando ao meio do palco e agora sim, começa o tango homenageando a Aníbal Troilo. Silbando, uma composição de Carlos Gardel que faz menção ao bairro de Barracas (o que logicamente combina com a localização geográfica de Señor Tango) é um dos primeiros tangos em chegar.

Enquanto a iluminação em cada mesa vai mudando conforme a dinâmica do espetáculo, a jovem e talentosa orquestra ataca com Canción desesperada (de Enrique Santos Discépolo), La Última Copa (Carlos Gardel) e El corazón al sur (escrita por Eladia Blázquez). A proximidade entre a audiência e os artistas permite sentir na própria pele a inegável sensualidade do 2×4.

Com a execução de Fuga y Mistério (um instrumental de Astor Piazzolla), o grupo de músicos mostra competência e anuncia o fim da primeira parte do espetáculo.

Segunda Parte

Faz a sua entrada Fernando Soler, dono de casa…  e também do show. Assumindo o controle total da situação, ele canta, e conta, a história do Tango. E ao mesmo tempo seduz a audiência com a sua potente voz e impecável presença cantando Madame Yvonne (um clássico imortalizado pelo eterno Julio Sosa), Uno (de Discépolo e Mariano Mores) e Por uma cabeza (composta por Gardel e o brasileiro Alfredo Le Pera).

Um dos momentos mais descontraídos do show acontece durante a interpretação de A Media Luz, quando Fernando Soler começa interagir com o público, fazendo perguntas e brincadeiras aos espetadores. Se você escolheu uma mesa perto do palco, se prepare: pode virar uma alegre, porém indefesa vítima do afiado senso de humor do anfitrião do Señor Tango! Depois de cantar Pasional, o diretor e produtor da obra finalmente se despede do auditório, enquanto soam os primeiros acordes de Primavera Portenha (mais uma composição de Piazzolla).

Aproveitando que o mestre de cerimônias foi embora, é a vez da espetacular coreografia, vibrante o tempo todo, de mostrar um toque de precisão circense. Nesse instante, os membros do corpo de baile de Señor Tango executam um atraente número de dança aérea, equilibrados com contrapesos humanos.

Sobre uma versão fortemente remixada de Libertango um grupo só de mulheres (muito sensuais) deleita a plateia com uma apresentação mais do que insinuante, quase beirando com o erotismo. Uma proposta de alta voltagem, mas com final feliz: tudo acaba com uma rosa na mão da bailarina principal!

Grand Finale

E ainda tem mais. O bônus é a atuação da orquestra do mestre Ernesto Franco. Ele e os oito integrantes do conjunto deleitam a audiência fechando a função com muito estilo: La Cumparsita (o Tango mais difundido pelo mundo, escrito por um uruguaio: Gerardo Matos Rodríguez). O final acaba resultando um pouco óbvio, com uma versão de No Llores por mi, Argentina (uma peça omnipresente na maioria dos shows portenhos).

(Foto: Ilya Haykinson)

Señor Tango (Foto: Ilya Haykinson)

Na saída, uma fileira de garçons cumprimenta amavelmente a cada um dos convidados que vão se retirando lentamente. Sim, tudo acabou. Mas a magia e a emoção do Señor Tango não desaparecem tão fácil assim…

Señor Tango

Vieytes 1655, Barracas

Cidade de Buenos Aires

Todos os dias. Jantar às 20.30h e Shows a partir das 22.15h